ALAIC y IAMCR/AIERI/AIECS firmaron un convenio en el 2007, con el objetivo de reforzar los lazos históricos que unen las dos comunidades y promover el intercambio entre sus redes académicas en los diferentes sub-campos de la Comunicación. Este blog es una iniciativa de un grupo de investigadores, reunidos en el congreso de IAMCR/AIERI/AIECS, en Estocolmo (2008), y pretende reunir las comunidades latinas de ambas asociaciones y todos los investigadores interesados en impulsar el diálogo internacional en el campo de la Comunicación y la insersión en este del pensamiento crítico latinoamericano. English

DEMOCRATIZAÇÃO NA IAMCR/AIERI/AIECS

AVANÇOS DO PERÍODO 2004-2007 E NOVOS DESAFIOS

César R. S. Bolaño

Resumo

O objetivo deste texto é apresentar os avanços conquistados na IAMCR/AIERI/AIECS nos últimos anos, no sentido da sua democratização e das possibilidades de crescimento da participação latino-americana no seu interior. Um dos marcos desse processo, iniciado em 2004, foi a reforma no sistema de afiliação. Outro marco foi o convênio assinado com a ALAIC, que se estenderá posteriormente a outras associações nacionais e internacionais e, finalmente, a criação do comitê de regionalização no encontro de Paris, em 2007.

Palavras chave: IAMCR/AIERI/AIECS, democratização, regionalização, participação latino-americana



Introdução

Ao assumir o convite para compor a diretoria da IAMCR/AIERI/AIECS, na assembléia de geral de Porto Alegre em 2004, após várias consultas aos colegas latino-americanos e brasileiros presentes e aos companheiros da sessão de Economia

Política da entidade – reservatório do pensamento crítico em Comunicação –, deixei claro que meu labor burocrático estaria subordinado a uma ação que se pretendia essencialmente política, visando ampliar a participação dos pesquisadores dos países menos desenvolvidos, em especial do mundo latino e da América Latina, muito particularmente, dada minha própria inserção no campo e os compromissos que acabei assumindo ao longo das duas últimas décadas.

Com esse espírito assumi o cargo e nesse sentido venho trabalhando, com o apoio entusiástico e engajado de todos os membros da Diretoria e do Conselho Internacional, em particular nossa presidente, Robin Mansell. Ao final de um ano, é verdade, o trabalho burocrático havia se mostrado extremamente complexo, tendo em vista, especialmente, as dificuldades em se manter a tesouraria de uma entidade internacional como a nossa em um país com as características do Brasil. A única solução possível foi centralizar as contas e o grosso do trabalho burocrático em Londres, nas mãos da Presidência, o que ocorreu em duas etapas, a primeira concluída em Taipei, em julho de 2005, nas reuniões da Diretoria e do Conselho Internacional, e a outra em Londres, em setembro do mesmo ano, numa reunião extraordinária da Diretoria, para redefinir a estrutura do site da entidade, inclusive nos seus aspectos relacionados à gestão das finanças e do banco de dados.

Nessa reunião de Londres apresentei também um trabalho, que foi a base para a reforma da estrutura de filiação e anuidades da entidade. 1 Um diagnóstico anterior havia sido publicado na revista da ALAIC, com base em um levantamento de dados realizados por Robin Mansell, em Taiwan. 2 Alguns parágrafos desses textos foram copiados aqui, por comodidade, com adaptações formais. Os dados apresentados sobre a forma de tabelas e as simulações a que me referirei adiante podem ser consultados nesses textos originais.

O problema

Analisando o número de participantes no encontro de Taipei, verifica-se o enorme peso que os Estados Unidos (41 participantes) e a Europa (56), especialmente a Alemanha (10), têm na entidade. Também a Austrália teve uma participação importante. Os números relativos a Taiwan (65), evidentemente, refletem o fato de o evento ter ocorrido lá. Mas é interessante, por outro lado, a baixíssima participação relativa dos países asiáticos mais próximos, excetuando-se Japão (26) e Coréia (11). Se descontarmos estes dois, mais os anfitriões, a participação asiática cai para 38 pessoas. Abaixo da norte-americana. Se descontarmos ainda o Oriente Médio, esse número se reduz ainda mais (23). Da República Popular da China havia apenas dois participantes. Barreira lingüística? Poder aquisitivo? Questões políticas no caso da China? Não importa aqui analisar essas questões. O que interessa ressaltar simplesmente é a hegemonia do chamado Primeiro Mundo, sem exceções. Se fôssemos analisar os números do congresso de 2004, realizado em Porto Alegre, certamente chegaríamos a uma situação semelhante.

O mesmo ocorreria se o objeto de análise fosse a participação dos sócios nas diferentes instâncias de poder da entidade: diretoria, conselho internacional, coordenação de sessões e grupos de trabalho. Essa assimetria na participação das diferentes comunidades nacionais está vinculada, por um lado, certamente, a distorções históricas da política de filiação e de definição das contribuições anuais dos sócios. Só para citar um exemplo, os membros institucionais dos paises de alta renda pagavam uma anuidade de 400 dólares, com o direito de inscrever dez indivíduos, o que representa 50% de desconto em relação ao que esses mesmos indivíduos pagariam filiando-se pessoalmente, enquanto que, no caso dos paises de baixa renda, o valor pago pelo sócio institucional era de 200 dólares, o que significa que não havia qualquer desconto. Este problema foi atacado e resolvido, como se verá em seguida.


Re-balanceamento da estrutura de filiações e anuidades: uma conquista

Considerando a lista de membros cadastrados no banco de dados da IAMCR/AIERI/AIECS até o ano de 2004, encontrava-se um total de 877 membros individuais. 3 Destes, 765 membros eram de países ricos (high income countries), enquanto apenas 112 faziam parte da categoria pobres ou em desenvolvimento. A partir desses números, e levando em consideração a classificação do Banco Mundial em relação à categoria econômica do país adotada pela IAMCR/AIERI/AIECS, fizemos algumas simulações, para fundamentar as seguintes propostas:


1. Classificação dos países em apenas dois grupos de renda: alta (high income, na linguagem do Banco Mundial) e baixa (low income, upper middle e lower middle).


O impacto dessa mudança sobre as receitas, segundo a simulação, seria mínimo. Considerando esta nova classificação teríamos a seguinte estrutura de receita. De um total de 58 países, apenas 9 passariam a uma nova classificação em termos de renda. Tal mudança representaria, considerando estática a relação preço/ quantidade de membros associados, uma redução de receita de US$ 1.860,00. Esperava-se, no entanto, que tal medida pudesse ser um atrativo a novas inscrições advindas de países pobres ou com irregular distribuição de renda e que ainda são considerados como lower middle ou upper middle income pelo Banco Mundial, como Argentina, Chile, Costa Rica, Croácia, República Checa, República Dominicana, Estônia, Gabão, Hungria, Letônia, Líbano, Líbia, Lituânia, Mauritânia, Ilhas Mauricio, Mayotte, México, Ilhas Marianas, Omã, Paquistão, Palau, Panamá, Polônia, Arábia Saudita, Seychelles, Eslováquia, Kitts and Nevis, Santa Lucia, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela.


2. Redução de 50% no valor das anuidades dos membros de países pobres ou em desenvolvimento, excetuando-se os membros regulares e eméritos.


O propósito dessa sugestão era, sobretudo, a atração de estudantes da América Latina e outros países de baixa renda para o quadro de membros da IAMCR/AIERI/AIECS, ao oferecer os mesmos índices de desconto para profissionais e estudantes que eram praticados para os países ricos. Mesmo supondo que o número desses sócios não se alterasse em relação aos cadastrados até 2004, 4 a pequena perda de 2,5% na sua receita total, decorrente dessa mudança, justificava-se pelo que estabelece seu estatuto no que diz respeito à democratização da pesquisa no campo da Comunicação, ao democratizar seu quadro de participantes advindos de países de menor renda.

O problema não era, entretanto, de fácil solução porque a entidade havia experimentado uma perda conjuntural de receitas não desprezível, com a transição da tesouraria e as referidas dificuldades em fazer funcionar a contento o sistema de recebimentos no Brasil, atrasando a renovação da filiação, sobretudo, dos sócios institucionais dos países de alta renda. A centralização da gestão financeira em Londres visava justamente atacar esse problema. Além disso, era compromisso da nova diretoria, ampliar os serviços ofertados aos associados, especialmente assinatura de revistas acadêmicas e reforma da newsletter.

Outras simulações foram feitas, uma reduzindo o desconto para 30%, com o que a perda de receitas seria da ordem de apenas 1,5%, e outra projetando uma situação em que a receita perdida poderia ser recuperada com um acréscimo de 10% no valor da anuidade dos membros institucionais dos países ricos, o que cobriria a previsão de perda de receita da ordem de 1,5%, decorrente da redução de 30% nos valores para estudantes e membros institucionais de países de baixa renda.

A solução encontrada foi garantir a todo custo a igualdade de tratamento em matéria de descontos, beneficiando os países de baixa renda e eliminando, assim, uma distorção histórica injustificável, ao mesmo tempo, em que se definia uma estrutura totalmente transparente, deixando explícito o benefício oferecido a cada tipo de associado. Definiu-se, assim, uma tabela isonômica (tabela 1), que destaca, ademais, o valor da assinatura das revistas acadêmicas a que cada sócio faz jus, dando ainda a opção, àqueles dos paises de baixa renda e aos estudantes em geral, de não recebê-las, caso as considerasse muito caras.

Com essas mudanças, a nova diretoria cumpre duas das suas promessas: ampliar o leque de serviços oferecidos aos sócios e democratizar a entidade, para não falar de outros avanços relacionados à própria reestruturação do site e do sistema de pagamentos. O relatório gerado no banco de dados da IAMCR/AIERI/AIECS, em 6 de julho de 2006, apresentava um total de 1419 filiados (tabela 2), o que significa um aumento substancial (26,5%) em relação aos 1116 referentes a julho de 2005.5 A importância dessa taxa pode ser notada comparando-a com o crescimento de julho de 2005 em relação a julho de 2004, que fora de apenas 2,8%.

Tabela 1 - Valores Anuidade IAMCR

MEMBRO INDIVIDUAL

Países de Alta Renda

Regular

130 USD*

-


Estudantes

90 USD*

40 USD**


Emérito

90 USD*

40 USD**


Países de Baixa Renda

Regular

40 USD*

20 USD**


Estudantes

30 USD*

15 USD**


Emérito

30 USD*

45 USD**


MEMBRO INSTITUCIONAL

Países de Alta Renda

10 Membros

500 USD* + 50 USD para cada novo membro

Países de Baixa Renda

10 Membros

140 USD* + 14 USD para cada novo membro

* Incluindo assinatura de 1 revista científica

** Sem assinatura de revista



Tabela 2 - Membros Associados por tipo, categoria econômica do país e gênero – julho 2006

Tipo de Associado

Individual

Estudante

Emérito

Honorário

Vitalício

Institucional

Total

485

16

66

12

31

809

1419

Distribuição por categoria econômica dos países

Alta Renda

Baixa Renda





Total

466

176





1419

Distribuição por gênero

Masculino

Feminino





Total

384

258





1419

Obs: os dados correspondem aos membros cadastrados no sistema on-line do banco de dados da IAMCR.


Essa mudança tão positiva deve ser imputada às ações do conjunto da diretoria, especialmente a Presidente Robin Mansell e a Vice, Annabelle Sreberny, responsável pela nova política de publicações, e também, em boa medida, acredito, ao re-balanceamento das taxas. Um estudo mais definitivo sobre essa influência não pode ser feito, tendo em vista a mudança das bases de dados realizada em 2005. Estimamos, não obstante, que a participação de membros de paises pobres sobre o total de membros da entidade aumentou de 9,5%, em 2005, para 12,4%, em 2006. Do ponto de vista das contas da entidade, o aumento do número de associados e a nova estrutura das anuidades promoveram uma importante recuperação das receitas. Assim, a arrecadação referente aos primeiros seis meses de 2006 superou as expectativas, como se pode observar na tabela 3.


Tabela 3 - Receitas com associados: estimativas e resultados alcançados até fevereiro de 20066

Orçamento IAMCR - Janeiro 2006 a Dezembro de 2006


USD

USD


Estimado (Jan - Dez 2006)

Atual até 23/06/2006

Receitas com Associados

40.000

36.577



Aprofundamento das relações com as entidades regionais ou nacionais: o acordo entre IAMCR/AIERI/AIECS e ALAIC


Mesmo considerando como altamente positivos esses resultados, o problema ainda está longe de ser resolvido. Um segundo passo importante foi a assinatura de um acordo com a Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (ALAIC), que poderá ser estendido a outras entidades nacionais e regionais co-irmãs, filiadas à IAMCR/AIERI/AIECS na qualidade de membros associados. Nessa condição, elas não pagam anuidades, o que é altamente positivo, mas tampouco têm maiores vantagens nem responsabilidades.

A IAMCR/AIERI/AIECS tem um comitê de filiação e participação que tem realizado esforços no sentido de ampliar o diálogo com entidades internacionais, como a International Communication Association (ICA), ou regionais, como a asiática AMIC. O acordo entre a IAMCR/AIERI/AIECS e a ALAIC apóia essa iniciativa, visando uma maior participação de pesquisadores de países não hegemônicos e um diálogo mais intenso com as instituições locais e regionais que os representam.

O acordo com a ALAIC foi facilitado pela minha condição de membro da diretoria das duas entidades, mas neste momento já estão sendo encaminhadas propostas semelhantes de acordo com a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM) e com a Asociación Boliviana de Investigadores de La Comunicación (ABOIC). Com a Asociación Mexicana de Investigadores de la Comunicación (AMIC), o acordo já foi firmado em Paris, durante o congresso intermediário da IAMCR/AIERI/AIECS. Trata-se, portanto, de um modelo que poderá ser adotado, com toda a flexibilidade, por outras entidades, inclusive fora da América Latina, visando ampliar as possibilidades de incorporação de sócios de paises de menor renda. Mesmo entidades de países desenvolvidos, como a européia ECCREA, mostraram interesse em firmar – sobre outras bases, evidentemente – convênio com a IAMCR/AIERI/AIECS.

A proposta original, levando em consideração a pouca incidência da filiação institucional na América Latina, era de equiparação, através de acordo formal, dos indivíduos filiados aos membros associados (entidades co-irmãs) àqueles vinculados aos membros institucionais, para efeito de pagamento de anuidades. Por razões formais, ligadas à funcionalidade do site da IAMCR/AIERI/AIECS, optou-se por tomar como base o valor de estudante. O texto final, muito simples, assinado por Robin Mansell e Erick Torrico, presidentes, respectivamente, da IAMCR/AIERI/AIECS e da ALAIC ficou assim:


The Presidents of the International Association for Media and Communication Research (IAMCR) and the Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (ALAIC), representing the members of both associations, agree to:

  1. Reduce membership fees in IAMCR for ALAIC individual members to USD15.00 on condition that payment is made using the Paypal payment system at the IAMCR website (a discount from the full low income country individual membership fee of USD20.00). Individuals would not be entitled to receive a journal unless they pay an additional USD40.00. No alternative means of payment can be accepted by IAMCR for cost reasons.

  2. In return, ALAIC will distribute IAMCR printed materials in its mailing, publicize the agreement in its journal and newsletter and pass to IAMCR its list of members annually.

  3. ALAIC will organize, during each organisation’s conference, meetings between representatives of the boards of IAMCR and ALAIC to elaborate cooperation plans for bilateral action.

  4. ALAIC and IAMCR agree to foster interaction between working groups and sections with similar interests and to encourage meetings, publications, etc.

The objective of this agreement is to increase the number of Latin American members in IAMCR and its academic and political relevance to scholars based in Latin America, and to promote bilateral and regional actions.7


Assim, através do acordo formal, o membro associado se compromete a divulgar o material promocional, folhetos e fichas de inscrição da IAMCR/AIERI/AIECS entre seus associados, através de seus meios de comunicação, como boletins, revistas ou mala direta. Em troca, seus sócios individuais recebem os descontos citados, que não causará nenhum impacto negativo sobre as contas da IAMCR/AIERI/AIECS, tendo em vista a baixa participação simultânea nas duas associações.

O objetivo, como fica explícito, não é apenas aumentar o número de sócios, mas também estreitar os laços com entidades consideradas prioritárias na política de inserção regional da IAMCR/AIERI/AIECS. No caso da América Latina, por exemplo, a tradição e estrutura do sistema universitário não facilitam a filiação institucional. Um acordo com uma entidade do peso da ALAIC, ou mesmo entidades nacionais importantes, como a brasileira INTERCOM ou a mexicana AMIC, ao contrário, podem ser muito mais produtivos, tanto do ponto de vista da ampliação do número de sócios, quanto dos desafios mais fundamentais, como os de que tratarei em seguida.


Regionalização e novos desafios à frente: uma decisão recente e algumas propostas

O problema que nos interessa atacar tem causas estruturais. As nossas assimetrias refletem outras, muito mais fundamentais, ligadas aos níveis de desenvolvimento sócio-econômico, à hegemonia da língua inglesa no campo acadêmico, à hegemonia da Europa e dos Estados Unidos na produção científica certificada, seguida de países como a Coréia e o Japão, em suma, às assimetrias constitutivas daquilo que vem sendo chamado de Economia do Conhecimento e que não é outra coisa senão a nova forma em que se estrutura a produção capitalista, reforçando a integração das lógicas industrial e acadêmica, científica e tecnológica, da produção e distribuição da riqueza entre as classes sociais e entre os países e regiões.

Não será certamente a IAMCR/AIERI/AIECS que resolverá esse problema estrutural, mas cabe a ela procurar, no seu interior, organizar-se da forma mais democrática, estimulando a participação e a incorporação do pensamento não hegemônico no campo. Um problema adicional, de difícil tratamento, decorre da própria estrutura global da entidade, que torna cara a participação dos sócios nos congressos, especialmente quando estes se realizam em localidades muito distantes.

E não obstante, se quisermos fugir da corrente hegemônica e estimular o pensamento crítico e excêntrico, a grande contribuição que uma entidade desse tipo poderia fornecer é a aproximação entre os extremos Oriente e Ocidente, estimulando um diálogo acadêmico que aproxime o pensamento africano, do latino-americano e asiático, para além do velho euro-centrismo a que não podemos estar condenados. A meu ver, só avançaremos nesse sentido através de ações que facilitem e estimulem a participação mais ampla possível dos sócios de diferentes latitudes em todas as instâncias da entidade, aliada a uma verdadeira política de regionalização.

Nesse sentido, o acordo entre IAMCR/AIERI/AIECS e ALAIC vale muito menos pelos seus aspectos financeiros que pela oportunidade de repensar a política de regionalização da primeira. Esta poderia ser uma alternativa mais efetiva à proposta, que circula na entidade, de criação de representações regionais para recrutar novos membros. Em lugar disso, o Conselho Internacional da entidade aprovou, em sua última reunião, em Paris, transformar o Membership and Participation Committee em Membership and Regionalization Committee, coordenado por Daya Thussu e por mim e com uma composição bastante representativa das diferentes áreas culturais representadas na entidade. Um dos nossos objetivos principais é desenvolver o diálogo com cada uma das entidades regionais (ou mesmo nacionais) de interesse estratégico.

Há uma proposta circulando na entidade, de regionalização das reuniões intermediárias, realizadas nos anos ímpares. Isto poderia ser feito em conjunto com essas entidades regionais. A IAMCR/AIERI/AIECS poderia inclusive facilitar o diálogo horizontal, promovendo mesas inter-regionais nos diferentes eventos regionais em que tivesse co-participação.

Também é importante buscar formas de estímulo ao intercâmbio direto entre os GT’s da ALAIC, por exemplo, e sessões da IAMCR/AIERI/AIECS, pois são esses os grupos organizados que compõem o campo da Comunicação nas diferentes áreas culturais. Trata-se, evidentemente, de uma tarefa complexa, mas extremamente importante porque significa compatibilizar as agendas de pesquisa entre os diferentes sub-campos, no sentido da definição de pautas comuns, o que pode ser facilitado em momentos de reclivagem das entidades – como a que está sendo discutida hoje, sob minha coordenação, na ALAIC –, quando se deveria levar em consideração as possibilidades concretas de ação conjunta nessa linha.

A sessão de Economia Política da IAMCR/AIERI/AIECS pode ser tomada como pioneira nesse sentido. Dois dias antes da assembléia de Porto Alegre, por exemplo, foi realizado um encontro histórico, no Museu de Arte Moderna do Rio Grande do Sul (MARGS), coordenado por mim, na qualidade de presidente da União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura (ULEPICC) e coordenador do GT de Economia Política da ALAIC, e pela Dra. Janet Wasko, chair da Political Economy Section, da IAMCR/AIERI/AIECS, de grande visibilidade no campo em nível internacional. 8

Finalmente, mas não menos importante, é preciso democratizar o trabalho das sessões e outras instâncias da entidade, através de votação à distância para escolha dos coordenadores e estímulo à organização de eventos on line.


Agradeço a Marcos Castañeda pelo apoio técnico.

1 BOLAÑO, César Ricardo Siqueira. Anuidades IAMCR: propostas de mudanças. Aracaju, mimeo, 2005.

2 BOLAÑO, César Ricardo Siqueira. IAMCR 2005: reflexões num país tropical e bonito por natureza. Revista Latinoamericana de Ciências de la Comunicación, II(2), enero/julio de 2005, p. 154-155.

3 Treasurer´s Report, 2004. Apresentado por Annie Mear na Reunião Anual da IAMCR em Porto Alegre.

4 Naquele momento, a IAMCR/AIERI/AIECS apresentava um quadro de associados de 1.086 pessoas além de 30 associações cadastradas em seu banco de dados. Dentre estes 12 eram honorários e 4 vitalícios.

5 Treasurer´s Report, 2005. Apresentado por César Bolaño na Reunião Anual da IAMCR em Taipei.

6 Todos os detalhes das contas de 2006 e resultados de 2004 e 2005 encontram-se no Ínterim Financial Statment 2006. Apresentado por César Bolaño na Reunião Anual da IAMCR no Cairo. Não serão usados os dados do relatório de 2007, em fase de elaboração, por comodidade, mas eles mostram um avanço ainda mais espetacular tanto no que se refere aos recursos arrecadados quanto o número de sócios, o que demonstra o acerto da política adotada pela nova diretoria, inclusive a de redução ao mínimo possível do valor de inscrição do congresso de Paris para novos membros. Deve ser citado, ademais, o excelente trabalho realizado pela vice-presidente Divina Frau Meigs na organização do evento, que garantiu, entre outras coisas, um apoio importante da UNESCO.

7 A versão em espanhol pode ser encontrada no sitio da ALAIC, na internet.

8 Vide matéria de época no acervo do EPnoTICias – www.eptic.com.br .



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